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Espaço do Leitor

Em defesa do pequeno agricultor

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Aldo Rebelo

Informações distorcidas semeadas por todo o país estão contaminando o debate sobre o novo Código Florestal. Duas delas têm, notadamente, causado prejuízos à discussão: a primeira, é que a agricultura e a pecuária estariam se expandindo às custas do desmatamento de matas nativas; a segunda, é que a agricultura familiar deveria ter reserva legal semelhante à exigida para médias e grandes propriedades rurais. A análise dos dados do insuspeito Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desmente essas duas teses: a área da agropecuária está encolhendo no mapa do Brasil, e a agricultura familiar, com média de 18 hectares por produtor, faz uso intensivo da terra, cuja grande parte foi desmatada ainda no Brasil colônia.
Não é difícil desmontar a tese do aumento do desmatamento das matas nativas pela agropecuária. Atentemos para o caso do Rio Grande do Sul, um dos principais polos da produção agrícola nacional, que é um exemplo dessa realidade, ignorada por aqueles que querem tumultuar o processo de votação do novo código. Aqui no estado, o confisco das terras da atividade rural fez com que elas tivessem uma redução de 1,6 milhão de hectares, entre 1996 e 2006, quando foi feito o último censo agropecuário do IBGE. Em todo o país, a área total ocupada por imóveis rurais caiu no período de 353 milhões de hectares para 329 milhões de hectares.
Apesar de estar sendo tratada como vilã na discussão do novo Código Florestal, a agricultura familiar, mesmo ocupando apenas 24% da área total da agropecuária, é a grande responsável pela segurança alimentar do país. Ela é responsável por abastecer a mesa do brasileiro com 87% da produção nacional de mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do rebanho de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos, 21% do trigo e 16% da soja.
Aliás, para desconsolo de alguns ambientalistas, a agricultura familiar também produz esta outra "erva do diabo", a soja, introduzida no Brasil pelas mãos de um poeta modernista, o gaúcho Raul Bopp, e de uma escritora comunista, a paulista Patrícia Galvão, a Pagu, que contrabandearam sementes da China na década de 1930..
Com média de 18 hectares por propriedade, a agricultura familiar tem dificuldades intransponíveis para atender às elevadas e inoportunas exigências de áreas de proteção permanente e reserva legal. Pelo Código Florestal em vigor, ela deve conservar uma faixa de 30 metros nas margens dos cursos d’água com até 10 metros de largura – não importa que seja um filete d’água de apenas um palmo que seca na estiagem.
Em inúmeros casos, a cobertura florestal original foi removida há séculos, desde o início da colonização do país. Ainda assim, segundo o Censo Agropecuário de 2006, nada menos que 28% da área das propriedades familiares estavam cobertas por mata, florestas e "sistemas agroflorestais", na definição do IBGE, com taxa de reserva legal média de 10%. Agora, querem que o pequeno agricultor reponha toda a porcentagem de cobertura florestal exigida em lei. Ora, isso significa obrigá-lo a arrancar lavouras para replantar vegetação nativa, o que é uma total insensatez.
Por isso, o projeto do novo Código Florestal isenta a pequena propriedade de manter a reserva legal, para que ela possa continuar usando toda a terra disponível na produção de comida para o povo brasileiro.

Deputado federal pelo PCdoB-SP e relator do projeto de lei do novo Código Florestal Brasileiro

Sobre o tempo

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Alceone Silveira dos Santos

O tempo como designação usual de temperatura e clima foi alterado; isso é ponto pacífico. E, em consequência, o tempo com designação cronológica se fez presente também na forma de pouco oferecer em um espaço pequeno. Quando as ações antrópicas são desmedidas, e não são gerenciadas, as reações da natureza vêm na forma de cobrança. A natureza determina o tempo de sua regeneração e se os recursos degradados vão ser recompostos ou não. A partir daí o homem não tem mais poder, simplesmente tem que esperar.
E essa espera pode não terminar, pode ser definitiva dependendo do que foi destruído sem previsão de contingência. Outro problema pontual é que não se sabe ainda definir o custo-benefício de se tirar algo da natureza e de se criar mecanismos políticos de prevenção. A primeira situação é a mais usada, o consumo sem controle; a segunda, que é sempre mais cara e necessita de ações práticas focadas em preservação, só é acionada quando se tem que fazer "manutenção corretiva" e não preventiva. Necessariamente, o consumo é uma cadeia.
Os custos de recursos naturais empregados na fabricação de bens não são calculados com antecipação e existe uma linha que pode ainda não ser visível, mas indica nível mínimo. Mínimo de água disponível, mínimo de ar aceitável, mínimo de madeira que pode ser cortada, dentre outros. Depois do bem de consumo pronto chega a vez deste começar seu processo de ocupação e degradação do meio em que foi posto, seja na forma de emissão de gases tóxicos, seja na forma de descarte incorreto ou até de poluição visual.
Realmente, estamos cercados. Cercados e emboscados numa armadilha que nós mesmo viemos montando ao longo do tempo.

acadêmico de Gestão Ambiental Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Aquecimento, desastres e o INPE

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Mario Eugenio Saturno

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) tem desenvolvido modelos matemáticos para aperfeiçoar a previsão dos desastres naturais. O problema é que as autoridades não se mobilizam nem atuam na prevenção. Agora, para melhorar a informação sobre as intensas chuvas que têm atingido parte do Sudeste, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE colocou no ar uma página na internet (www.cptec.inpe.br/sudeste.shtml) com a previsão do tempo para os próximos dias, a precipitação acumulada, e modelos numéricos com mais resolução e detalhamento das áreas mais comprometidas.

Como estes fenômenos devem estar associados ao aquecimento global, o INPE recebeu cientistas de todo o mundo em dezembro para avaliar as propostas dos pesquisadores e setores industriais de novos fatores de emissão e outros parâmetros relevantes para uso nas metodologias do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima) para inventários nacionais de gases de efeito estufa. Essa atividade foi promovida pela Força Tarefa em Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa do IPCC, coordenada pelo Brasil e pelo Japão. Isso tudo compõe uma biblioteca para que os cientistas estimem as emissões e remoções de gases de efeito estufa. Dessa forma, todos os países estarão falando a mesma “língua” (metodologia) e assim cumprir os compromissos.

Segundo a cientista Thelma Krug, co-presidente da Força Tarefa, o Brasil dá exemplo fazendo um inventário com todas as emissões e bastante detalhado, baseado em dados de muitas fontes, e a cada edição aperfeiçoa a precisão dos dados, reduzindo as incertezas dos números. Esse exemplo é seguido também por Índia e China, enquanto alguns países desenvolvidos, ricos e com melhor o acesso à informação não fazem um inventário bom.

Paralelamente, em outro evento, a conferência internacional Getting Post 2010 - Biodiversity Targets Right, o pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), defendeu que o Brasil deveria assumir um papel de liderança nas negociações climáticas internacionais e no compromisso de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa. Isso porque nosso país é um dos que mais podem sofrer as consequências do aquecimento global e que coloca em risco a Floresta Amazônica.

O Brasil anunciou na 16ª Conferência Climática das Nações Unidas (COP-16), no México, o plano de cortar entre 36% a 39% as emissões de gases estufa até 2020, só que não existe uma meta que seja clara e com valor legal.

E o governo, senadores e deputados deveriam prover um arcabouço legal e de fiscalização contra o desmatamento, principalmente o da Amazônia e do Cerrado. O último relatório do sistema de alerta DETER/INPE (www.obt.inpe.br/deter) demonstrou que nos meses de setembro e outubro, respectivamente, foram registrados 448 km² e 389 km² de desmatamento na Amazônia Legal.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano. ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

Enersul agradece

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Obrigado pela informação. Isso só nos faz adminirar cada vez mais a seriedade com a Folha do Povo encara os fatos. UA Henrique Xavier | Gerência de Comunicação e Responsabilidade Social | Enersul +55 67 3398 4886 | Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. | www.enersul.com.br

Jornalista Roberto Chamorro

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Muito Bom !!! Parabéns José Roberto. Foi a melhornoticia que tomei conhecimento hoje. A nossa querida Folha do Povo já pode seracessada pela internet. Forte abraço a toda equipe.

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